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Política

Haddad diz que Brasil terá “o melhor sistema tributário do mundo” e critica tarifas dos EUA

Em meio a tensão comercial com os Estados Unidos, ministro destaca avanço da reforma tributária e defende soberania econômica brasileira

HADDAD
Fernando Haddad – Foto: Reprodução
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (5) que o Brasil está no caminho para ter “o melhor sistema tributário do mundo”, ao lado dos já reconhecidos sistemas bancário e eleitoral do país. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão, que reúne integrantes do governo federal e da sociedade civil para discutir políticas públicas.

“Não à toa temos o melhor sistema eleitoral e o melhor sistema bancário do mundo. Teremos também o melhor sistema tributário”, declarou Haddad, em tom confiante.

Reforma tributária em fase de regulamentação

A fala ocorre no contexto de implementação da reforma tributária, aprovada pelo Congresso em dezembro de 2024 e sancionada em janeiro de 2025. Segundo o ministro, mais de 60 grupos de trabalho foram criados para discutir regulamentações técnicas e tecnológicas da nova legislação, com a participação de 200 entidades representativas do setor econômico.

“O Brasil é grande demais para ser colônia de algum país”, afirmou Haddad, em crítica indireta à influência estrangeira sobre assuntos internos brasileiros.

Críticas aos Estados Unidos e tarifas de retaliação

O discurso de Haddad também teve como pano de fundo o agravamento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. No mês passado, o ex-presidente Donald Trump, agora novamente no cargo, anunciou a elevação de tarifas para 50% sobre diversos produtos brasileiros, como frutas, pescado, açúcar e minério, alegando retaliação às investigações contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Na prática, as novas tarifas inviabilizam parte considerável das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, gerando preocupação entre empresários e autoridades.

Reações: Fiesp e governadores pedem ação

O presidente da Fiesp, Josué Gomes, classificou a medida norte-americana como uma “agressão injusta” e defendeu uma carga tributária mais equânime no Brasil, além da construção de novas parcerias estratégicas globais. “Inclusive com empresas norte-americanas, que sempre investiram no Brasil”, ponderou.

Já o governador do Piauí, Rafael Fonteles, que representou o Consórcio de Governadores do Nordeste, pediu ações emergenciais para apoiar os exportadores afetados pelas novas tarifas. Ele defendeu a liberação de crédito emergencial, compras governamentais diretas, o afastamento dessas medidas do ajuste fiscal e a redução da dependência comercial do mercado dos EUA

Fonteles destacou a vulnerabilidade de setores como o agronegócio nordestino, especialmente os produtores de frutas, pescado, açúcar e minério, que dependem fortemente das exportações para os Estados Unidos.

Cenário em transformação

A ofensiva tarifária americana surge em um momento delicado da reorganização econômica global e pressiona o Brasil a diversificar parceiros comerciais e fortalecer sua autonomia tributária e produtiva.

O evento do Conselhão marcou mais um passo na tentativa do governo de demonstrar coesão interna e capacidade de reação diante de instabilidades externas, ao mesmo tempo em que busca modernizar o sistema tributário nacional.

Lincoln Vargas
Autoria
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
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