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Política

Senado aprova projeto que reduz tempo de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa

Nova regra fixa prazo máximo de 8 anos, com início antecipado da contagem; texto segue para sanção presidencial

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Agência Brasil
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O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (2) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 192/2023, que altera as regras da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010) e reduz o tempo de inelegibilidade de políticos condenados. O texto foi aprovado por 50 votos a favor e 24 contra e agora segue para sanção do presidente da República.

Com a nova proposta, o prazo de inelegibilidade passa a ter duração máxima de 8 anos, com contagem a partir de marcos antecipados, como a decisão judicial que decreta a perda do mandato, a data da eleição em que ocorreu o abuso de poder, a condenação por órgão colegiado, ou a renúncia ao cargo eletivo.

Fim da inelegibilidade indefinida

Atualmente, a contagem da inelegibilidade pode ultrapassar 15 anos, especialmente em casos de improbidade administrativa ou crimes eleitorais de menor gravidade, pois o prazo começa apenas após o fim do mandato. O novo texto corrige esse ponto, limitando o tempo de afastamento da vida pública.

O relator do projeto, senador Weverton (PDT-MA), afirmou que a mudança corrige uma distorção. “Não é razoável permitir que a inelegibilidade seja ad eternum.”

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Exceções para crimes graves

A nova regra não altera a punição para crimes considerados graves, como:

  • crimes contra a administração pública;

  • lavagem de dinheiro;

  • tráfico de drogas;

  • racismo;

  • tortura;

  • terrorismo;

  • crimes contra a vida e a dignidade sexual;

  • entre outros, praticados por organizações criminosas.

Nesses casos, o prazo de 8 anos continuará sendo contado a partir do cumprimento da pena, como estabelece a lei atual.

E em casos de múltiplas condenações?

O projeto também estabelece que, em casos de condenações múltiplas, o tempo máximo de inelegibilidade será de 12 anos, mesmo que os processos sejam diferentes, desde que os fatos estejam relacionados.

Aplicação retroativa

A proposta, de autoria da deputada Dani Cunha (União-RJ) — filha do ex-deputado cassado Eduardo Cunha —, também autoriza a aplicação das novas regras a casos já julgados, e não apenas a futuras condenações.

Reações no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a medida como uma atualização necessária. “A inelegibilidade não pode ser eterna! Está no texto da lei: 8 anos. Não pode ser nove nem vinte.”

Por outro lado, parlamentares contrários, como o senador Marcelo Castro (MDB-PI), afirmam que a mudança enfraquece o espírito da Lei da Ficha Limpa. “Com esta nova regra, ninguém, por crime eleitoral, ficará mais por duas eleições fora do pleito, o que é uma anomalia.”

Lincoln Vargas
Autoria
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
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